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Análise nodal e de malhas passo a passo com exemplo resolvido
Leitura de 8 min · Equipe bitGateLab
Quando um circuito já não pode ser reduzido com combinações em série e em paralelo, aplicar as leis de Kirchhoff "à mão", ramo por ramo, vira uma bagunça. A análise nodal e a análise de malhas são duas receitas sistemáticas que sempre funcionam: você escolhe umas poucas incógnitas, escreve uma equação para cada uma e resolve o sistema. Aqui você vai aprender os dois métodos, a escrever as equações quase por inspeção e a resolver um exemplo completo de três nós.
A ideia da análise nodal
Em vez de procurar cada corrente, você procura as tensões de nó: a tensão de cada nó em relação a um que você escolhe como referência (terra, 0 V). Conhecidas todas as tensões de nó, qualquer corrente sai pela lei de Ohm: a corrente em um resistor entre os nós a e b é (Va − Vb) / R.
O procedimento é:
- Escolha o nó de referência; normalmente o que tem mais conexões ou o polo negativo da fonte principal.
- Dê nome aos demais nós: V1, V2, …. Se houver n nós, você terá n − 1 incógnitas.
- Em cada nó escreva a LKC: a soma das correntes que saem pelos resistores é igual à soma das correntes que as fontes injetam no nó.
- Resolva o sistema e calcule as correntes de que precisar.
Exemplo de três nós
O circuito da figura tem três nós além do terra. Uma fonte de corrente IA = 9 mA injeta corrente no nó 1 e outra, IB = 2 mA, no nó 3. Os resistores são: R12 = 1 kΩ e R23 = 1 kΩ entre nós, e para o terra R1 = 2 kΩ, R2 = 3 kΩ e R3 = 1 kΩ.
Exemplo 1. Calcule V1, V2 e V3. Trabalhe em volts, kΩ e mA para evitar potências de dez (1/kΩ = mS).
- Nó 1: sai corrente para o terra por 2 kΩ e para o nó 2 por 1 kΩ; entram 9 mA. V1/2 + (V1 − V2)/1 = 9, ou seja, 1.5 V1 − V2 = 9.
- Nó 2: sai corrente para o nó 1, para o nó 3 e para o terra por 3 kΩ; não há fonte. (V2 − V1)/1 + (V2 − V3)/1 + V2/3 = 0. Multiplique por 3: −3 V1 + 7 V2 − 3 V3 = 0.
- Nó 3: sai corrente para o nó 2 e para o terra por 1 kΩ; entram 2 mA. (V3 − V2)/1 + V3/1 = 2, ou seja, −V2 + 2 V3 = 2.
- Da equação 1: V1 = 6 + (2/3) V2. Da 3: V3 = 1 + V2/2.
- Substitua na 2: −3(6 + 2V2/3) + 7V2 − 3(1 + V2/2) = 0 → −18 − 2V2 + 7V2 − 3 − 1.5V2 = 0 → 3.5 V2 = 21.
- V2 = 6 V, V1 = 6 + 4 = 10 V, V3 = 1 + 3 = 4 V.
Correntes. R12: (10 − 6)/1 = 4 mA do nó 1 para o 2. R23: (6 − 4)/1 = 2 mA do 2 para o 3. Para o terra: 10/2 = 5 mA, 6/3 = 2 mA e 4/1 = 4 mA.
Verificação com a LKC. Nó 1: entram 9, saem 5 + 4 = 9. Nó 2: entram 4, saem 2 + 2 = 4. Nó 3: entram 2 + 2 = 4, saem 4. Correto.
Forma matricial: escrever por inspeção
Se o circuito tem apenas resistores e fontes de corrente, o sistema tem a forma G · V = I e pode ser escrito sem pensar em sinais:
- Na diagonal (G11, G22, …) vai a soma das condutâncias ligadas a esse nó.
- Fora da diagonal (G12, …) vai o negativo da condutância que une esses dois nós.
- No vetor do lado direito vai a corrente que as fontes injetam em cada nó.
Para o exemplo, em mS e mA:
| 1.5 −1 0 | |V1| | 9 | | −1 2.333 −1 | |V2| = | 0 | | 0 −1 2 | |V3| | 2 |
A matriz é simétrica, um bom sinal de que você não errou. Esse é o mesmo tipo de sistema que um simulador de circuitos resolve internamente ao fazer a análise CC. Se há uma fonte de tensão entre um nó e o terra, esse nó já é conhecido e deixa de ser incógnita; se ela está entre dois nós, eles são agrupados em um supernó.
Análise de malhas
O método dual usa como incógnitas as correntes de malha: uma corrente fictícia que circula ao redor de cada malha, por convenção no sentido horário. A corrente real de um ramo compartilhado é a diferença entre as duas correntes de malha que passam por ele. Em cada malha você escreve a LKT.
Por inspeção: na diagonal vai a soma das resistências da malha, fora da diagonal o negativo da resistência compartilhada, e do lado direito a soma das fontes de tensão que empurram no sentido da corrente de malha.
Exemplo 2. Malha esquerda: fonte de 10 V (positivo para cima) no ramo esquerdo e R1 = 1 kΩ no trecho superior. Ramo central compartilhado: R2 = 2 kΩ. Malha direita: R3 = 1 kΩ no trecho superior e R4 = 1 kΩ no ramo direito. Calcule as correntes.
- Malha 1 (I1, horária): (1 + 2) I1 − 2 I2 = 10.
- Malha 2 (I2, horária): −2 I1 + (2 + 1 + 1) I2 = 0, portanto I1 = 2 I2.
- Substitua: 3(2I2) − 2I2 = 10 → 4I2 = 10 → I2 = 2.5 mA e I1 = 5 mA.
- Corrente real em R2: I1 − I2 = 2.5 mA para baixo, com 2.5 × 2 = 5 V entre seus terminais.
- Verificação por outro caminho: R3 + R4 = 2 kΩ fica em paralelo com R2 (1 kΩ equivalente), em série com R1: 10 V / 2 kΩ = 5 mA. Confere com I1.
Qual dos dois usar? Conte as incógnitas. A análise nodal precisa de n − 1 equações (nós menos um); a de malhas precisa de b − n + 1 (ramos menos nós mais um). Escolha a que der menos. Com fontes de corrente costuma ganhar a nodal; com fontes de tensão em série, a de malhas.
Erros comuns
- Escrever, em um mesmo nó, algumas correntes como "saem" e outras como "entram", sem respeitar a convenção escolhida.
- Na forma matricial, colocar como positiva a condutância entre nós fora da diagonal.
- Esquecer a resistência compartilhada ao somar a diagonal de uma malha.
- Confundir corrente de malha com corrente de ramo nos ramos compartilhados.
- Deixar unidades misturadas (ohms com miliampères); escolha um sistema, como V, kΩ e mA, e mantenha-o.
Experimente no simulador
A análise CC do simulador mostra as tensões de nó diretamente, então é a forma mais rápida de verificar o seu sistema de equações.
- Coloque duas fontes de corrente CC, de 9 mA e 2 mA, apontando para os nós 1 e 3.
- Coloque os cinco resistores e ligue-os como na figura, com o nó inferior no terra.
- Execute a análise CC e observe as tensões dos três nós: devem ser 10 V, 6 V e 4 V.
- Meça a corrente em R12 e R23 com o multímetro.
- Mude IB para 0 mA e compare com o exercício 1.
Exercícios
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No exemplo de três nós, desligue a fonte IB (0 mA). Calcule V1, V2 e V3.
Ver resposta
Agora a equação 3 é −V2 + 2V3 = 0, portanto V3 = V2/2. Substituindo: −18 − 2V2 + 7V2 − 1.5V2 = 0 → V2 = 18/3.5 = 36/7 ≈ 5.143 V. Então V1 = 6 + (2/3)(5.143) ≈ 9.429 V e V3 ≈ 2.571 V.
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No exemplo de malhas, você muda a fonte para 20 V. Quanto valem I1 e I2?
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O circuito é linear: tudo dobra. I1 = 10 mA, I2 = 5 mA.
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Um circuito tem 5 nós (contando o terra) e 7 ramos. De quantas equações você precisa com cada método?
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Nodal: 5 − 1 = 4 equações. Malhas: 7 − 5 + 1 = 3 equações. O de malhas é mais vantajoso.
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Ao exemplo de malhas, acrescente no ramo direito uma fonte de 6 V cuja polaridade empurra I2 no sentido horário. Calcule I1, I2 e a corrente em R2.
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Equações: 3I1 − 2I2 = 10 e −2I1 + 4I2 = 6. Da segunda, I1 = 2I2 − 3. Substituindo: 6I2 − 9 − 2I2 = 10 → I2 = 4.75 mA, I1 = 6.5 mA. Em R2: 6.5 − 4.75 = 1.75 mA para baixo.
Para simplificar redes grandes vistas a partir de uma carga, continue com Thévenin, Norton e superposição. Se precisar revisar, veja as leis de Kirchhoff.